6 de ago de 2015

Dependência emocional

Um ama demais, o outro não corresponde, um se doa demais, o outro não oferece troca, um tem expectativa demais, o outro nem se importa.

Viver um relacionamento assim é estar fadado ao sofrimento, angústia e incertezas e mesmo diante de um cenário tão difícil as pessoas ainda querem insistir, não conseguem se desprender dessa relação que mais traz desconfortos do que prazer. É praticamente uma dependência emocional e toda dependência é ruim, assim como as drogas, a pessoa sabe que faz mal, mas não consegue ficar sem porque de alguma maneira, em algum momento existe um bem estar, um alívio passageiro, um instante de alegria, são as migalhas de afeto, os poucos momentos em que o outro mostra algum interesse, um e-mail respondido em meia dúzia de palavras depois de longos dias de espera, uma mensagem simples e seca no celular que a pessoa cisma que tem intenções e emoções sublimes que apenas ela decifra, uma curtida numa foto que  se transforma num carinho, num afago para o coração. São pequenas gotas de água que não servem para matar a sede, mas oferecem a ilusão, a expectativa de que um dia essas gotas possam encher um copo.

Não é amor que se sente quando se envolve numa relação sem troca, o que sente é dependência, é necessidade, é um estado quase desesperado de receber alguma atenção no qual o outro se torna o objetivo de vida, tudo que importa e ocupa os pensamentos vinte e quatro horas.

O segredo está em nós mesmos, a dependência só existe quando há buracos emocionais, quando não cuidamos do nosso amor próprio, quando a autoestima cai e quando deixamos de acreditar em nossos valores. Quando se consegue tirar do outro a responsabilidade por nossa felicidade e bem estar, tudo muda, nos tornamos fortes, capazes e inteiros, a dependência deixa de existir, não desejamos mais pessoas confusas, complicadas e frias, passamos a buscar pessoas que nos agreguem algo, onde haja troca de sentimentos, compromisso e cumplicidade.