23 de set de 2015

Porque é tão difícil confiar no invisível?

A vida exige de nós que estejamos sempre ativos, prontos para o que der e vier, com força, garra e coragem para enfrentar todos os obstáculos. Crescemos aprendendo que é preciso persistir no que queremos, que não podemos medir esforços para alcançarmos nossos objetivos e que lutar incansavelmente por algo é sinônimo de fortaleza e determinação que nos levará a alcançar nossos ideais.

Claro que é sempre positivo manter uma postura forte e corajosa, mas muitas vezes, esse tipo de comportamento nos condiciona a acreditar que tudo depende exclusivamente de nós, que devemos carregar o compromisso e a responsabilidade de todos os nossos desejos sobre nossos ombros, nos consideramos auto-suficientes, carregando então sozinhos, o peso disso tudo que com o passar do tempo nos cansa, nos estressa, nos deixa frustrados por não conseguirmos o que queremos do jeito e no tempo que desejávamos. Vem então a sensação de impotência e incapacidade que nos desaponta totalmente e é nesse momento que olhamos para o abismo e nos vemos sem rumo, repletos de perguntas do tipo: O que eu fiz de errado? Porque não deu certo? 

Por mais que tenhamos fé em uma força superior, a pressão do mundo e da realidade cobra de nós o tempo todo atitudes diante da vida e deixar de nos esforçar, de correr atrás e encarar a maratona mais uma vez para ficar de braços cruzados, apenas orando, meditando ou fazendo rituais, confiando que uma força invisível pegue todos os nossos desejo e os realize, de repente pode parecer ilusão, pura utopia e pode nos fazer sentir tolos.

Para quem aprendeu desde muito cedo que o destino apenas está em suas mãos, a tarefa de confiar no invisível pode ser muito difícil, mas não é impossível, desde que se chegue a um entendimento maior da vida, de que ninguém está sozinho nesse mundo, digo em âmbito espiritual, pois a espiritualidade existe, independentemente de qualquer crença.

Confiar no invisível é ter a certeza de que existe algo além de nossa inteligência e compreensão, que nos ajuda, nos apoia, nos proporciona intuição. Essa energia pode ser chamada de Deus, de anjos, de mentores, de guias, tanto faz a denominação, o que realmente importa é nos permitirmos receber a ajuda e nos conectarmos com ela. Pode parecer estranho alguém não querer recebê-la, quem não quer ser ajudado? Na verdade não é que não se queira, simplesmente não se permite. Isso acontece quando resolvemos carregar nos braços o peso de todas as dificuldades, quando acreditamos que tudo apenas depende de nós. Se a gente toma posse dos problemas a espiritualidade não consegue agir, por isso é tão importante que haja uma entrega, mas é uma entrega emocional em primeira instância, é mais ou menos como carregar 50 quilos de farinha nas costas e depois de entregá-la nos sentirmos aliviados, respirando bem fundo e retomando as forças. É essa a sensação emocional e física que precisamos sentir quando resolvemos confiar no invisível e não significa de forma alguma ficar de braços cruzados, a nossa parte a gente precisa fazer, mas é preciso entender até onde vai a nossa parte - qual é o limite? Para isso a gente precisa prestar atenção na vida e se questionar onde fica o ponto que a coisa trava, qual é o momento em que você sente que por mais que faça, nada flui? Justamente nesse ponto é o seu limite, daí para frente passe a bola ao invisível e confie porque as energias sabem exatamente onde essa bola precisa chegar. Mais importante ainda é que fique bem, se sinta leve, despreocupado e totalmente convencido de que sua parte foi muito bem feita e que o invisível age formando com você uma equipe, onde um começa e outro dá continuidade, pode chegar o resultado muito rapidamente ou não, mas quando esse trabalho em equipe é bem realizado o resultado sempre chega.








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